Desde
sempre ouvi que a escola reproduz a ideologia dominante, para que os alunos se
conformem com a situação social em que vivem. Isso aconteceria de diversas
formas e na maioria das vezes de forma velada. Basicamente é isso que o autor
Pérez Gómes defende em seu primeiro capítulo quando fala dos “Mecanismos de
socialização na Escola”.
Mas obviamente ele apresenta que o
papel da escola é contraditório, ou seja, mesmo reproduzindo a ideologia
dominante e prepará-los para uma sociedade desigual e competitiva do mundo do
trabalho. E da mesma forma tem o papel
de formar um cidadão que seja critico e tenha consciência de seu papel social.
O que eu posso dizer, eu fui
alfabetizada em uma escola de periferia, onde havia inúmeros projetos sociais,
para que as crianças de baixa renda ou que os pais trabalhassem e não pudessem
ficar com seus filhos durante o dia. O Projeto ia desde aula de reforço, a de
desenho, panificação, dança e diversas outras atividades. Nunca participei
destes projetos, mas grande parte dos meus colegas e amigos participavam.
Lá pela primeira vez tive contato
com pessoas das mais variadas classes sociais, e lá sempre fui estimulada a lhe
dar e a compartilhar o que eu tinha com aqueles que não possuíam algum tipo de
material. Mas ao mesmo tempo era muito forte a meritocracia, ou seja, aqueles
que tirassem as melhores notas eram recompensados e tinham certos tipos de
regalias com os professores.
Desta forma ao ler esse texto me fez
refletir sobre uma contradição que para mim nunca esteve evidente. Ao mesmo
tempo em que os professores e coordenadores insistiam na importância da
solidariedade entre nós alunos, aqueles que se destacavam eram sempre eram os
mais elogiados e incentivados, os exemplos que deveriam ser seguidos. Quer
dizer que a ajuda mútua era bem vinda, mas que não valia para a hora da
avaliação.
Assim fica claro para mim, que a
escola reflete a realidade da sociedade que está baseada na acumulação de bens,
mas ao mesmo tempo quer passar outros valores. Entretanto da escola é exigido
resultados que são avaliados por meio de estatísticas feitas com base em notas.
Então desta forma a escola esta imersa em uma questão complexa, de onde não
sabemos como responder. Formar pessoas para competir no mercado que está
estabelecido? Ou formar pessoas que estejam cientes do seu papel social e que
questionem a ordem estabelecida. Não tenho idéia de como responder está
questão, mas essa deve ser uma questão sempre em pauta dentro das escolas.
Gabriela
Schreiber

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