sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Seminários do livro Documentos de Identidade, de Tomaz Tadeu da Silva


Eu admito que sou suspeita para falar sobre apresentação de seminários. Desde sempre apreciei as apresentações feitas pelos alunos, porque lá é exposto muito mais que o conteúdo, e onde nós temos a oportunidade de conhecer o ponto de vista de nossos colegas. E elucidar conceitos que talvez tenham ficado de maneira abstrata, mesmo após a leitura e a apresentação da professora.
Conceitos como o capital cultural do Pierre Bourdieu, onde foi apresentado um vídeo bastante explicativo sobre esse conceito na vida escolar dos alunos. Ou a educação bancaria de Paulo Freire, onde se deposita o conhecimento em uma tabula rasa, no caso o aluno.
Outra característica interessante que fica presente nas apresentações são os debates que surgem sobre cada tema. Creio que os alunos sentem mais liberdade para discutir com seus pares. Como a discussão entorno das tirinhas que ilustravam um livro didático de ciências, onde surgiu o questionamento da sabedoria popular versus as industrias farmacêuticas, onde se percebia nitidamente um discurso etnocêntrico de desvalorização do outro. Falando em outro, este sim foi questionado. Quem é outro? Como o outro é construído? E se somos construídos, como esta construção ocorre? Foram questões que nortearam as discussões sobre identidade que foram colocadas em pauta. Que são essenciais para compreender a sociedade que nos cerca.
Desta forma eu concluo que a apresentação de seminários e uma forma bastante eficiente fazer com que a turma não só interaja mais entre si, a melhor compreensão ou exposição e ideias, como cria um ótimo laboratório, para nossas futuras experiências como professores.



Saber Acadêmico e o Saber Escolar


No PCN de história do 3° e 4° Ciclo, traz o debate da aproximação do conhecimento produzido nos ambientes acadêmicos e o conhecimento escolar sobre a história. O documento argumenta sobre a importância dos questionamentos produzidos na academia sejam compartilhados no ambiente escolar. E que os conhecimentos produzidos nos dois meios sejam compartilhados, criando assim laços estreitos. Admitindo que nosso conhecimento e subjetivo e por isso um corpo dinâmico que muda a partir de seu observador.
Como em todo post, esse não vai ser diferente, vou tentar ver o que este parâmetro que deveria ser a base do conteúdo dado do 5° ao 8° ano, desde 1998 quando foi publicado. Influência na realidade escolar, que eu conheci pelo menso Sinceramente me surpreendeu a antiguidade deste documento, pois a discussão que ele traz continua viva dentro da academia. Mas da mesma forma que nós o discutimos, essa relação estreita entre o as pesquisas realizadas do meio acadêmico, e sua difusão no âmbito escolar , parece distante.
Digo isso pela minha experiência no primeiro semestre na Universidade, onde a frase que eu mais ouvi dos professores era “Esqueçam tudo que vocês aprenderam sobre história até hoje". Sério foi traumatizante, eu chego na Universidade tinha acabado de sair do ensino médio, cheia de empolgação, e levo aquele choque, esquecer tudo aquilo que tinha feito me apaixonar pela história. Tudo bem que ao decorrer do semestre eu foi me encantando pelo que vi na universidade, mesmo sendo completamente diferente do que eu amava no ensino médio.
Mas a questão é, porque há esse abismo entre o que aprendemos no ensino fundamental e médio, com o que vemos na Faculdade? Com certeza, meu objetivo aqui não é apresentar uma resposta concreta ou definitiva. Mas refletir sobre estás diferenças. Durante toda minha formação desde o 1° ano do ensino fundamental até o 3° ano do ensino médio, a disciplina história consistia em cronologia, resumos de textos e decorar fatos e nomes importantes. Mas analisando o livro didático de história que foi utilizado no meu ensino médio, ele tinha propostas importantes, como indicações de bibliografias complementares com nomes de autores referenciais na área, e parênteses importantes tratando temas como sexualidade, etnia e tantos outros temas propostos pelos parâmetros. O problema é porque o livro didático é utilizado como uma fonte de resumos, e não como uma ferramenta essencial para a melhor elucidação dos conteúdos? Ou porque o que discutimos dentro da universidade parece não ter a mínima importância para o resto da sociedade, que só é lido e compreendido por outros especialistas? Ou que pessoas que saíram da universidade e deveriam esta a par das discussões feitas na academia, parecem ignorá-las em sala de aula?
Eu sinceramente acho fantástica a proposta das questões estudadas e os questionamentos acadêmicos entrem nas escolas, e que a partir deste conhecimento nasçam diversos outros, com a interação aluno e o conhecimento. Mas esta proposta ao meu ver está longe da realidade escolar, ou pelo menos estava até dois anos atrás quando eu me formei.